sábado, 23 de junho de 2012

Under skin ou under schin?

Aqui, meio alto, ouvindo músicas velhas de São João com velhos amigos que mal reconheço, bebendo schin - não gosto de schin - sob o impacto de me perceber o últimos de meus amigos solteiros, crente que estudar é um projeto de vida, crente de que está cedo demais para ter filhos, crente que o mundo é um lugar bom, reconheço a farsa de cada uma das minhas crenças. Sou ingênuo, sou uma criança que engatinha despreocupada pela orla da praia enquanto as ondas salgadas da realidade me lambem e fazem meus olhos lacrimejarem. Sou um pequeno idiota que acredita que a vida deveria ser justa com os justos, que as confluências psicodélicas de meus delírios seriam frutos de mim, apenas eu, nu. Procuro um sentido. Só isso. Sob minha pele o eterno medo de um fututro impalpável, de um passado de vapor. Digito com dedos dormentes. Basta um copo de cerveja e meus dedos adormecem com minha língua, conspiram um jogo engraçado e sem nome. Pensamentos sem sentido me assaltam, Stephen King, Bukowski e Tarantino. A torre negra, a casa sem nome, o eixo dos mundos deve estar em uma dimensão próxima. Se alguém conhecesse uma das irmãs de Sandman, vulgo lorde Moldador, como eu conheço, se arrependeria de buscar ou almejar o conhecimento, pois ele é o escárnio de Mefistófeles a nossa tentativa patética de abarcar a realidade com nossas mãos pequenas. Já volto.

Levanto, vou ao banheiro e o mundo gira. Sempre que penso em mijar, me lembro de Anne Rice e dou risada sozinho. Sou louco, sei que sou. E só quando bebo um pouco reconheço esta verdade fundamental em minha vida, a verdade pela qual tenho medo de falar a alguém que a amo, sabe? Porque minha vida é loucura. Não minha vida de mentira, a vida de trabalhar, ser um enfermeiro responsável, um irmão gente boa, um filho legal, um amigo, um nerd. Falo da vida profunda que só eu conheço, da vida que é como uma película profunda abaixo da pele, um borbulhamento que nasce do âmago e conhece a raiva, a hipocrisia e a verdade dos nomes das coisas. Assim, me perdoe, L., se eu nunca disser as palavras que você quer e merece ouvir. Me perdoe por ser louco, esquizofrênico, esquizóide, borderline. Espero que tenham entendido o trocadilho do título, porque agora, meio alto, ele me faz todo o sentido, mas não tenho certeza se ainda será assim quando eu acordar. Se houverem erros de português, vão à merda, agora não posso me preocupar com isto.

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