quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sobre o Sonho e a Morte

Hypnos e Thanatos carregando um cara
Hypnos e Thanatos carregando um cara
As vozes dos mortos me chamam sutis, as vozes daqueles que já se foram e legaram o esforço dos heróis e dos mártires à minha fibra. As vozes daqueles que me emprestaram suas reflexões, suas idéias e ideais quando repousaram na frialdade acolhedora da terra, da última morada no húmus indiferente que a todos recebe e a todos hospeda. Minha voz não pode ser fraca nem minhas convicções vacilarem quando as vozes dos mortos sussurram bem perto do meu ouvido que preciso fazer jus à sua herança. Esperança nos sonhos, determinação a um futuro sem lei, ao Ka, à sina, ao carma, à Vallhala. Tudo o que nos impulsiona é o sonho daqueles que vieram antes de nós, nos projetando um pouco mais à frente na história. O sonho dos mortos repousa em nós. Hypnos e Tanathos são irmãos gêmeos desde que o homem aprendeu as sutis artes das enganações, das mitologias que contêm a força de todos os sonhadores, de todos os inconscientes e todos os arquétipos já imaginados. A superfície da realidade muda constantemente, há plástico, há eletricidade, há redes invisíveis que conectam tudo, todos, instantaneamente. Mas a verdade mais profunda do mundo não se molda. Há tricksters, há deslealdade e ambição desmedida. Mas há dança, música e trovadores. Trovo em um teclado ordinário de plástico e silício, mas o papel ainda tem o mesmo apelo, pois minhas próprias letras mudam o significado do que escrevo. Poe e Augusto dos Anjos estão mortos. Baudeleire, Dumas, Whitman. Mas os corações dos poetas subvertem os corações jovens para exprimir tudo o que não conseguiram em vida. Neitzsche ainda apela, Goethe ainda finaliza e reconta Fausto. Dante está em uma floresta escura. Beatrice jaz. E eu solidarizo-me e solitarizo-me na imensidão do mundo que busca uma resposta para a vida, o universo e tudo mais (42). Não desanimemos, pois os mortos ainda inquietam nossos espíritos e nos movem para frente.

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