domingo, 3 de fevereiro de 2013

Um mergulho no céu noturno de nós mesmos

Eu amo.
Mergulhado dentro de mim encontro luzes dispersas, livros abertos, portas de pedra fechadas: a dor que consome é a mesma que as sela com sua amarga pungência. O Sonhador, Oneiros, joga grânulos de incenso e areia em meus olhos e me faz ter visões de deja vu misturadas a profecias e devaneios não concretizados. Eu amo a selvageria que exite em mim, esta vontade de me arraigar à vida como o verme que se agarra ao limo, a abelha que luta e se mata apenas pelo esforço de lutar. Amo o céu noturno, porque ele me dá as estrelas. Mesmo nos dias nublados, lembro-me delas, pálidas, solitárias, na vastidão do universo, como testemunhas perenes de nossa finitude. Lembro-me das estrelas como lembro do ventre materno. Em seus corações de fogo fui nutrido por alguns bilhões de anos, acalentado na fornalha cósmica... quem olha dentro de meus olhos muito de perto, vê a cintilação das estrelas, vê minha ascendência. Sou pouco, sou muito, um nada, um mito. Sou quem sou. Me alegro pelas dores e pelas lágrimas, como pelos risos e pelos brindes. Eu gosto mesmo de viver, a despeito de qualquer sentimento sobrenatural. Gosto de conhecer, saber e experimentar. Jogar o jogo, depois de lidas as regras. Ou aprender com a experiência e dar um dedo pro mundo às vezes. Metade de mim é uma busca solitária, a outra metade são alegrias inesperadas e coincidências intrigantes.

Me despeço com um adeus que não quer dizer nada mais senão um até logo.



"O tempo me diz para dizer adeus
E eu sabia que iria combater o inferno
E eu sabia: nós iríamos
Para nos vermos novamente
Para sermos livres novamente
Para nunca mais dizer adeus"

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